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Notícias

COVID - 19 - O que podemos fazer para gerir o stress e ansiedade?

30 mar 2020
img_COVID - 19 - O que podemos fazer para gerir o stress e ansiedade?
Ansiedade e depressão são cenários reais em casos de emergência pública. Medo e confusão, em adultos e crianças, são prováveis, mas há formas de gerir o stress mesmo em tempos mais difíceis.
O surto de Covid-19 decretou o fecho de escolas em todo o país e restringiu a circulação dos portugueses, com o Governo a admitir prolongar o “estado de alerta” para lá de 9 de abril. A emergência provocada pelo novo coronavírus vai além das fronteiras portuguesas e pode representar, de certa forma, um problema de saúde mental para doentes, familiares e amigos de infetados e também para profissionais de saúde. Ansiedade e depressão são duas realidades prováveis de acontecer.
 

A pensar numa realidade que agora corre risco de se repetir, a 26 de janeiro de 2020 a Comissão Nacional de Segurança da China divulgou os “princípios básicos para crises de emergência psicológica” na sequência da propagação da Covid-19, documento onde se menciona que os cuidados de saúde mental devem ser providenciados a doentes infetados, aos seus contactos mais próximos, aos casos considerados suspeitos isolados em casa e aos profissionais de saúde.

O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças refere, também no contexto Covid-19, que as pessoas que mais se podem sentir afetadas numa crise são aquelas que têm problemas de saúde mental preexistentes, incluindo o uso de substâncias, as crianças, e pessoas que estão a ajudar na resposta ao surto, como médicos e enfermeiros. Ao Observador, já antes Samuel Antunes, coordenador do Programa de Promoção de Saúde Mental nos locais de trabalho da Ordem dos Psicólogos Portugueses, assegurou que “vamos ter oportunidade de observar o impacto desta pandemia em termos de saúde mental nos técnicos de saúde que são os primeiro grupo de risco”.

A Organização Mundial de Saúde não está indiferente ao que se sucede e tem disponibilizado informação de maneira a contornar as questões de saúde mental em tempos de Covid-19 — informação essa que está também disponível e trabalhada no site da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Uma das questões a que a OMS tenta responder remete para a forma como podemos lidar com o stress durante este surto, admitindo que é natural que nesta fase as pessoas se possam sentir “tristes, ansiosas, confusas, assustadas ou zangadas”. Por esse motivo, falar com pessoas em quem confiamos pode ajudar, mas há mais dicas:

1. Como lidar com o stress no surto de COVID-19:

  • “Se tiver de ficar em casa, mantenha um estilo de vida saudável, uma dieta adequada, períodos de sono e descanso, exercício físico e contactos sociais, dentro de casa, com as pessoa mais próximas, assim como contactos por email e telefone com outros amigos e familiares”;
  • “Não fume, não consuma álcool e não consuma drogas na tentativa de lidar com as suas emoções”;
  • “Se se sentir muito angustiado ou perturbado, fale com um profissional de saúde, ligue para o SNS24 e siga as recomendações dadas”;
  • “Tenha uma visão crítica relativamente às informações que encontra e que não são disponibilizadas por instituições oficiais”;
  • “Limite as suas preocupações e inquietações e as da sua família, diminuindo o tempo durante o qual está a ver ou a ouvir notícias que considere perturbadoras”;
  • “Recorra a capacidades e competências que já o ajudaram no passado a lidar com situações adversas. Use-as para lidar com as suas emoções nos momentos mais desafiantes deste surto”.
  • "Assegurar, tanto quanto possível, a manutenção das rotinas ou então, criar novas rotinas num novo ambiente, incluindo momentos de aprendizagem e tempo para brincar e relaxar em segurança" - Informar os mais novos e apresentar factos sobre o que se está a passar também faz parte das recomendações da Organização Mundial de Saúde, algo que deve ser feito "com palavras adaptadas à idade."
2. Como enfrentar uma situação de isolamento:
 
Por estes dias, o teletrabalho é uma realidade que vem ganhando mais adesão. Com o avançar da propagação do novo coronavírus é possível que aumentem também os casos de isolamento profilático, situações que facilmente geram ansiedade, medo ou preocupação. Mais fácil de compreender é o facto de a quarenta também poder fazer com que as pessoas se sintam mais sozinhas, afastadas de quem mais gostam, além de “frustradas e aborrecidas” por serem incapazes de realizar as suas rotina habituais, motivo pelo qual é fundamental manter horários de descanso e de sono, fazer uma alimentação cuidada dentro do possível e até praticar exercício físico. É ainda aconselhável que se mantenha o contacto com familiares e amigos através do telefone, email, vídeochamadas ou redes sociais. Sempre que possível, devemos procurar realizar atividades prazerosas e ter em mente que o isolamento é uma medida temporária.
 
No caso de isolamento de cidadãos seniores, a Ordem dos Psicólogos Portugueses acrescenta a necessidade de pedir ajuda quando for preciso e de falar sobre a situação a atravessar, de maneira a que todos se sintam seguros e confortáveis. Não descurar a medicação prescrita e redobrar o cuidado com a saúde são também fatores a ter em conta. “Falar com pessoas de quem gosta é uma das formas de reduzir a ansiedade e a solidão. Veja os seus programa favoritos, oiça música, leia um livro, envolva-se em atividades e tarefa que lhe deem prazer”, continua a OPP.

Já no que toca às crianças, a OPP esclarece que também elas podem sentir-se “tristes, ansiosas, com medo e confusas” na sequência do isolamento, motivo pelo qual existe maior tendência para fazer birras e mostrarem-se mais dependentes e irritáveis. Mais compreensão é, nestes momentos, pedida aos pais que devem aceitar a probabilidade de existirem mais conflitos do que o habitual. “Seja compreensivo e paciente perante estes comportamentos e tente resolvê-los rapidamente. Dê-lhes oportunidade para expressarem os seus sentimentos e receios. Explique-lhes o que se passa e tranquilize-as utilizando linguagem apropriada à idade. Explique-lhes a importância do isolamento e assegure-as de que são apenas alguns dias”, aconselha a OPP.

Em contexto de isolamento, os pais podem encarar este tempo como uma oportunidade para passarem mais tempo com os filhos e realizarem atividades em conjunto — é, no entanto, de evitar recorrer exclusivamente à televisão e as outras tecnologias. É mais conveniente que este seja o tempo de jogos de tabuleiro, trabalhos manuais, desenhos e leitura.

3. Conselhos gerais a ter em conta:

Filipa Jardim da Silva, psicóloga clínica, resume os conselhos mais importantes, a começar pela necessidade de se dar nome ao que se está a sentir, mesmo que a emoção mais frequente em causa seja o medo. Crucial é também ficar ciente de alterações na respiração, uma vez que situações como a do surto de Covid-19 são propícias ao desenvolvimento de tensão física e de aceleração ao nível dos pensamentos. “Tudo isso faz parte. Conseguir dar nome à emoção e naturalizá-la é um passo muito fundamental para depois conseguirmos gerir a intensidade dessa emoção”, continua.

Outras ações concretas que podem ser aplicadas diariamente é aproveitar os múltiplos momentos em que se lava as mãos para se regular a respiração. Além disso, e considerando a fase de restrição em que Portugal se encontra, vale a pena perceber como se está a usar a alimentação para regular a ansiedade. Fugir de comidas processadas e de açúcares refinados é uma ideia a reter.

Considerando o eventual tempo de quarentena, Filipa Jardim da Silva destaca a oportunidade que poderá existir para realizar atividades que nos deem prazer e capazes de tirarem o foco de atenção do tema atual. “Há aqui um lado positivo que pode ser mais potenciado”, diz, referindo que este é um momento para cada atuar com maior confiança e compreensão sobre o que é possível fazer diariamente para ir gerindo o stress.


Fonte: https://observador.pt/2020/03/13/covid-19-o-que-podemos-fazer-para-gerir-o-stress-e-ansiedade-em-pleno-surto/


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